Esses dias eu compartilhei uma frase nos stories que não sai da minha cabeça: “um pássaro não pousa num galho com a certeza de que ele não vai quebrar, mas com a confiança de que sabe voar“. E aí eu perguntei pra vocês se era difícil acreditar que podem voar, e a resposta que mais apareceu foi um “depende”.
Depende do tema, depende da área e aprofundando no tema com elas comecei a refletir que isso diz sobre a forma como a gente constrói confiança forma como a gente constrói confiança, e por que a falta de confiança aparece numa área da vida e some em outra.
Porque talvez você seja uma mulher extremamente segura em algumas áreas da vida e, em outras, pareça esquecer completamente que tem asas. Por exemplo, você sabe que é competente no trabalho, mas coloca toda a sua segurança em xeque no segundo em que alguém não te escolhe, ou cuida da vida de todo mundo, resolve problema, toma decisão difícil sem piscar, e ainda assim fica paralisada na hora de dizer um simples não.
Ou quem sabe você saiba ganhar dinheiro, mas não confie nem um pouco na sua capacidade de mantê-lo, talvez seja exatamente o contrário, e tudo bem, o ponto é que a confiança que você tem em si não nasceu e nem se mantém igual em todas as áreas da sua vida.
Observe o seu ambiente
Uma das coisas que mais influenciam isso é o seu ambiente, aquele onde você viveu, e aquele onde você continua vivendo até hoje. Pensa comigo por um segundo: o que acontecia na sua casa quando alguém errava? E quando alguém queria uma coisa diferente do esperado? Como as mulheres que você conheceu falavam sobre dinheiro, sobre casamento, sobre ficar sozinha, sobre sucesso? O que se dizia por aí sobre a mulher que colocava limite, sobre a que ganhava muito, sobre a que terminava um relacionamento, sobre a que escolhia a própria vida mesmo quando os outros torciam o nariz?
Talvez ninguém tenha sentado na sua frente e dito com todas as letras “você não pode voar“. Mas você pode ter escutado a vida inteira, nas entrelinhas, coisas como:
“melhor não arriscar”
“quem você pensa que é?”
“dinheiro é muito difícil”
“relacionamento é assim mesmo”
“homem é tudo igual”
“você precisa ceder”
“não seja egoísta”
“melhor ter alguém do que ficar sozinha”
E é assim, pouco a pouco, sem alarde, que algumas alturas simplesmente começam a parecer indisponíveis pra você.
Mas basta acreditar em você que tudo muda, será?
É por isso que discordo dessa ideia simplista, como se confiança fosse uma chavinha interna que você liga numa segunda-feira de manhã e pronto. Não é!
A gente constrói a percepção que tem de si também a partir daquilo que vê repetidamente ao redor. Se todas as mulheres que você conhece vivem relações em que precisam se diminuir pra permanecer, é natural que uma relação onde você existe inteira pareça fantasia. Se ninguém perto de você fala de dinheiro com tranquilidade, prosperar vai parecer perigoso. Se toda vez que você põe um limite alguém te chama de difícil, se escolher vai vir sempre grudado numa culpa.
O ambiente não determina quem você vai ser, mas ele ajuda a determinar aquilo que você aprende a considerar normal. E talvez esteja aí uma das partes mais difíceis de começar a voar diferente, porque pra viver uma coisa que você nunca viveu, muitas vezes você precisa primeiro suportar a sensação incômoda de estar fazendo algo que ninguém ao seu redor acha normal (inclusive você!).
Viva o novo
Você precisa encontrar novas referências, conversar com gente que expande o seu repertório, ver mulheres vivendo de um jeito que você nunca imaginou ser possível, frequentar lugares onde aquilo que parecia “demais” na sua realidade antiga é só mais uma possibilidade na mesa. E precisa, também, prestar atenção em quais vozes continuam morando dentro de você mesmo quando as pessoas que disseram aquilo tudo nem estão mais por perto.
Isso não é sobre culpar o seu ambiente por tudo que você vive hoje, longe disso. É sobre reconhecer que nem toda crença que você carrega começou em você, e que talvez você não precise seguir tratando como verdade absoluta tudo aquilo que um dia aprendeu como limite.
O galho pode quebrar? Sim!
Você pode errar, pode se frustrar, pode descobrir no meio do caminho que ainda não sabe fazer alguma coisa. Mas para essas situações a confiança não vem da certeza de que nada vai dar errado e sim de que, se der, você não vai se abandonar ali no meio da BR, xoxa e capenga.
E o primeiro voo nem precisa ser enorme, ele pode começar simplesmente com você escolhendo um ambiente que te lembre que existe muito mais céu do que aquele que você aprendeu a enxergar.
Então fica com essa pergunta hoje: qual é o banquete que você ainda chama de impossível só porque nunca viu ninguém perto vivendo?


