O Leo está com 9 meses e você não tem ideia da quantidade de nãos que tenho que falar por dia, para ensinar a ele onde não pode ir, que não pode comer o controle e nem se jogar da escada (a vida é um eterno salvar a vida desse pequeno rs). E é curioso: a gente ensina o não a vida toda, mas aprender a dizer não sem culpa é o que quase ninguém consegue.
De onde vem o peso de dizer não sem culpa
Muito se deve ao fato de que desde pequena você foi aprendendo que precisava ser boazinha, prestativa, que precisava dar conta de tudo e nunca incomodar, porque no fundo ficou gravado em você que criança que não obedece não ganha presente, e que pra ser amada você precisava agradar.
Daí você cresceu, mas o roteiro continuou o mesmo. A figura do adulto que precisava ser agradado virou seu chefe, sua família, seu parceiro, suas amigas, e você seguiu dizendo sim pra todo mundo só pra não correr o risco de desagradar ninguém.
Só que ao fazer isso você se esquece de uma coisa: toda vez que você diz sim pra alguém, você está dizendo não pra você mesma.
Por que você aprendeu que se posicionar é coisa de vilã
E para dificultar, a gente ainda cresceu dentro de uma cultura que reforça isso o tempo todo. Repara nos filmes, nas novelas, nas séries que você assistiu a vida inteira. A mocinha é sempre aquela que se coloca por último, que abre mão, que serve, e no fim é ela quem ganha o felizes para sempre como recompensa por ter se anulado tanto. A vilã é a que diz não, a que se posiciona, a que quer pra si, e com isso o recado fica claro desde cedo: se posicionar é coisa de vilã e ninguém quer ser a vilã.
Entende que dizer não tem todo esse peso por conta de uma construção enorme na sua vida? Não é porque você é uma tonta (eu sei que você vive dizendo isso para si, pode parar!).
Você foi ensinada a achar que dizer não sem culpa é um problema, a acreditar que a sua função é dar, mesmo quando o que sobra pra você são migalhas.
E agora, o que você faz com isso?
Isso não significa que você precisa se conformar e viver assim. A vida fez isso contigo, ok, mas e agora? O que você vai fazer com isso? É uma decisão sua que requer coragem, seja para mudar ou para continuar se colocando de escanteio na própria vida.
Entender por que você faz o que faz é o primeiro passo, porque quando você enxerga a origem desses comportamentos consegue separar o que ainda faz sentido do que só está ali por hábito. E isso por si só já te coloca em movimento.
Na próxima edição eu quero te mostrar o preço que você vem pagando por dizer sim pra tudo, porque ele é mais alto do que parece, e geralmente a gente só percebe a conta quando ela já chegou. Por enquanto, te convido a refletir sobre os papéis de mocinha que você tem performado e a começar a se permitir ser um pouco vilã.
Nos vemos na próxima semana.



Respostas de 3
Amiga, eu amo esse assunto, porque me lembra de uma versão minha que era SIM pra todo mundo e isso também me lembra que um dos lugares que aprofundei esse assunto foi no teu curso Priorize-se. Eu já nem lembro quantas vezes eu fiz o curso, o workshop… E sem dúvidas me libertou demais dessa história de SIM pra todo mundo, eu hein (haha). Já quero a próxima newsletter. <3
Ahhh musavilhosa a senhora, depois que a gente se empodera do não ficamos imbatíveis né? hahaha Semana que vem tem mais <3