o preço de dizer não

O preço de viver dizendo sim

Sabe quando a fatura do cartão chega e você fica chocada descobrindo que juntando pequenas compras de R$ 20 você chegou numa fatura de R$ 3.000? Pois bem, a conta chega, choca e desespera porque a gente não tem a noção do todo que aquela pequena parcela vai fazer na conta geral. E é exatamente assim que funciona o preço de dizer sim pra todo mundo.

Não saber dizer os pequenos nãos e dizer sim pra todo mundo tem um preço, e quase sempre a gente só percebe o tamanho da conta quando ela já chegou.

Essa pe a parte 2 da série de textos A arte de dizer não, então se você não leu primeiro texto, indico começar por ele, pois estamos numa sequência lógica de passo a passo para que você consiga se dar conta das suas dificuldades e depois mudar isso. Hoje eu quero te convidar a analisar essa fatura emocional, porque ela vem com parcelas ocultas e cheias de juros, daí quando você se dá conta já pagou caro.

“Faço tudo por todo mundo e ninguém faz nada por mim!”

Talvez você reconheça essa sensação, ela resume tudo que vamos falar. Se você já disse ou pensou isso, presta atenção, porque isso não é uma reclamação, mas sim um sintoma. É seu corpo e sua alma avisando que a conta chegou e que tá bem alta.

Primeira parcela: sua autoestima

Quando você aprende que só tem valor enquanto está servindo, você passa a se sentir culpada toda vez que descansa, e inútil toda vez que não está sendo útil pra alguém. Você entende que seu valor está atrelado à utilidade, e aí seu bem-estar vira sempre a última tarefa da lista, aquela que nunca chega a vez (às vezes nem na lista ele aparece).

Segunda parcela: o cansaço

Esse é físico. Dizer sim pra tudo é carregar o mundo o dia inteiro, e o corpo cobra. Vem a exaustão, a irritação com quem você ama e consigo mesma, aquela sensação de estar sempre correndo e nunca dando conta, e às vezes vem até o adoecer, porque o seu corpo grita o que a boca não conseguiu dizer em forma de não.

Os juros: o ressentimento

Esse é um preço mais escondido, que é você dizer sim por amor, por medo, por hábito, e no fundo esperar que os outros retribuam na mesma moeda.

“Ah Deh, eu não espero não!”

Espera sim senhora, só não assume isso, mas tá sempre se sentindo deixada em segundo plano, menos importante ou chateada porque ninguém liga para como você se sente.

Acontece que ninguém sabe dessa conta que você paga em silêncio, e como você nunca cobra, os outros seguem sem retribuir (e claro que ainda tem aquelas pessoas que realmente não se importam com você). Daí aquele sim, que era pra ser amor, vira mágoa, e você se sente sozinha e abandonada no meio de tanta gente que você sustenta.

O preço mais alto de todos: VOCÊ

De tanto se moldar para o que os outros precisam, você esquece o que você quer, do que você gosta, de quem você é quando não está agradando ninguém, e então você vira uma estranha pra si mesma. Tá rolando isso por aí?

E nada disso é porque você é fraca ou exagerada, é a conta real de anos dizendo sim no automático, achando que você tem que agradar para ser amada.

E como não pagar o preço de dizer sim

O primeiro passo pra parar de pagar essa conta é justamente enxergar o quanto está custando, porque ninguém muda o que ainda acha que sai de graça.

Na próxima edição eu vou te mostrar como começar a dizer não sem precisar ser uma pessoa fria e sem coração, porque vilãs também têm coração!

Um spoiler é que você precisa descobrir os seus limites e como sustentar eles sem culpa. Mas por enquanto, fica com uma pergunta, e responde ela com honestidade: o que dizer sim pra todo mundo já te custou?

Reflete sobre isso ao longo da semana, porque essa resposta é importante para o nosso próximo papo.

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A arte de dizer NÃO

Crescemos aprendendo que agradar os outros é importante, mas isso pode nos custar: ao dizer sim para todos, dizemos não para nós mesmos. Essa visão nos ensina que a heroína é aquela que se esquece, enquanto a vilã é quem se impõe. Já pensou no peso que isso traz? Compreender a origem desses comportamentos é o primeiro passo para mudar. Venha refletir sobre os papéis que você tem assumido e comece a se permitir ser um pouco vilã.

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