O preço de não ser amada como você é

Ser amada como você é (não como você performa)

Quero te fazer duas perguntas e te convido a responder a si mesma com honestidade: o quanto de você desaparece quando você está numa relação? E o quanto você acha que pode ser amada como você é sem precisar performar algo para isso?

Não precisa responder rápido, essas são o tipo de perguntas que nos convidam para sentar e tomar um chá enquanto refletimos.

Talvez você se surpreenda ao saber, mas toda mulher que eu conheço faz ou já fez isso sem perceber, e eu também, inclusive tô sempre num processo de consciência sobre mim pra avaliar se não estou fazendo de novo.

Como isso acontece?

A gente entra numa relação e, aos pouquinhos, vai se ajustando, o que é natural quando se trata de relacionamentos, afinal as relações nos ensinam e transformam. O problema tá quando o processo fica distorcido, a gente começa a falar mais baixo do que pensa pra não criar atritos, abre mão de um gosto seu porque o outro não curte, engole uma opinião porque é mais fácil concordar.

A gente vai ficando cada vez mais disponível, mais leve, mais fácil de amar. E cada ajuste desses parece pequeno, quase educado, até o dia em que você percebe que construiu uma versão de si mesma feita sob medida pra ser aceita, e que a mulher de verdade ficou lá atrás, esperando.

De repente você se dá conta que passou a performar pra ser amada em vez de simplesmente ser você e ser amada por isso.

Performar pra ser amada tem um preço

E eu entendo de onde vem, porque é a mesma raiz de tudo que eu falo por aqui. Desde cedo a gente aprende que amor é recompensa por bom comportamento, que a gente precisa agradar pra merecer carinho. Aí cresce e leva isso pros relacionamentos, achando que precisa ser útil, fácil e agradável o tempo todo pra não ser abandonada.

Só que quando o amor exige que você performe é o que o grupo Molejo diz: “não é amor, é cilada!”

E além de ser uma super cilada, performar para ser amada a vida inteira te esgota e te faz cair numa ideia irreal de que você nunca é boa o suficiente para ser amada por quem é.

E é isso que quero que você entenda com o texto de hoje: você não precisa merecer ser amada. Você já merece amor por ser quem você é, sendo quem você é, com as suas opiniões, os seus gostos, os seus dias ruins, o seu jeito! Amor de verdade não é uma recompensa, nem algo que você conquista se performa bem, mas sim aquele que te deixa ser você e te acolhe em todas as suas nuances (que geralmente você acredita ser imperfeições).

Amar alguém de outra cultura sem se apagar

Tem um lugar onde isso fica ainda mais delicado: quando o outro vem de uma cultura diferente da sua, porque aí a tendência de se apagar é maior. Afinal, não é só a relação que puxa pro lado dele, é o idioma, o país, os costumes, as referências, a família. Vai tudo pendendo pra lá, e sem perceber você começa a viver a vida dele com a sua presença de figurante.

Claro que se adaptar faz parte, ninguém está dizendo pra você não se misturar, mas entende que se adaptar não é se apagar e se tornar alguém da cultura do outro?

Você pode aprender a língua dele sem esquecer a sua, viver no mundo dele sem sumir do seu. Manter a sua essência ali não será teimosia e nem falta de amor, mas é lembrar, todo dia, que você também existe nessa história, e que você também conta! E isso é extremamente importante para você, acredita em mim!

Então fica com esse convite pra se olhar com carinho e verdade: em que ponto você tem se moldado pra ser amada? Onde você tem performado em vez de simplesmente ser? Não pra se julgar, mas pra começar a voltar pra você.

Porque a mulher que você esconde pra ser aceita é justamente a que merecia estar sendo amada esse tempo todo. Essa mesma mulher que merece mais do que migalhas!

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Debora Barros

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