Muitas vezes o autoabandono não chega gritando “olha, você está se deixando de lado”, ele chega disfarçado de virtude, e é por isso que pode passar despercebido por anos.
Eu vejo o tempo todo nas mulheres que chegam até mim a mesma situação: não sabem conscientemente que se abandonaram. Elas sentem cansaço, sentem que algo não encaixa, mas não conseguem nomear e muito menos entender como mudar.
Se você é uma dessas mulheres, hoje quero te ajudar a reconhecer as máscaras de autoabandono, lembrando sempre que não é para usar isso para se julgar, mas sim para nomear, que é o primeiro passo para começar qualquer mudança.
Primeira máscara: medo disfarçado de empatia
“Ah, mas ele passou por tanta coisa, eu entendo o lado dele.”
E aí você passa pano, engole mais um pouco, se adapta de novo. É uma atitude bonita, parece ser maturidade emocional e que você é uma pessoa compreensiva. Mas se você reparar bem, muitas vezes não é empatia, mas sim medo do conflito, de perder ou até mesmo de ser vista como difícil. E a empatia que você distribui pra todo mundo quase nunca sobra pra você.
Segunda máscara: silêncio disfarçado de maturidade
“Prefiro ter paz do que ter razão.”
Quantas vezes você já disse isso? Só que, se for honesta, muitas dessas vezes você não escolheu a paz, você escolheu não arriscar. Não brigou, mas também não se posicionou, apenas fez algo que não queria fazer só para não entrar em atrito. O problema é que se te faz mal, não é maturidade. E se torna uma conta que você paga no silêncio, e que vai se acumulando e gerando juros.
Terceira máscara: paz de fachada disfarçada de escolha
Você olha pra sua vida e diz “está tudo bem, tirando uma coisa ou outra”.
Mas lá no fundo você sabe que aquela tranquilidade toda é feita de coisas que você deixou de dizer, de querer, de ser. Você chama de tranquilidade o que na verdade é anestesia e fuga.
O problema dessas máscaras é que cada vez que você usa uma, você se apaga mais um pouquinho. E vai chegando num ponto em que você nem sabe mais o que quer, o que sente, o que pensa, porque faz tanto tempo que você molda tudo isso pelo outro que perdeu o fio de volta pra si mesma.
Você não se abandona porque é fraca
E aqui está a parte que quase ninguém enxerga: você não se abandona porque é fraca. Você se abandona porque, em algum lugar, aprendeu que não merecia ser prioridade.
Que ser boa era ser fácil, não incomodar, ceder sempre. Você foi tão boa nisso que virou automático, e o automático você nem percebe fazendo.
Só que você precisa entender uma coisa importante: de tanto se esconder atrás dessas máscaras, você virou uma estranha pra si mesma. É como viver numa sala escura com uma desconhecida, até o silêncio incomoda, porque você nem sabe mais quem está ali dentro.
Não dá pra amar o que não se conhece!
É muito difícil viver a vida sem gostar de quem você é, tudo fica mais sofrido e pesado, a energia não flui e você acaba se colocando sem perceber em situações que te machucam, o que só alimenta mais ainda seu ranço por si mesma. Vira um fluxo contínuo de chicotadas e sensação de não ser boa o bastante.
E por mais que você ainda não acredite muito nisso, confia em mim quando eu te digo: você merece mais do que migalhas, se dê uma chance de vivenciar uma vida onde você gosta de quem você é, mesmo com as imperfeições.
E sobre elas, entenda que ninguém é perfeito, basta você olhar as pessoas que ama, você enxerga as coisas legais e não tão legais delas e mesmo assim ainda nutre amor por elas, e o mesmo deve acontecer com relação a si mesma, entende?
Se você se reconheceu em alguma dessas máscaras, já é o começo dessa mudança. Reencontrar o amor por si pode parecer trabalhoso demais ou talvez te dê medo, mas calma, não precisa ser algo pesado. Dá para ser leve, você pode e deve começar com pequenos passos, exercitando a amorosidade.
Começa reconhecendo isso tudo que falamos aqui e dizendo para si mesma: “Vamos nos conhecer melhor?”
Se você precisa de ajuda nessa jornada de se reencontrar e construir uma autoestima que não depende de agradar ninguém, eu te indico assistir a aula Eu Me Amo Mais. Ela é o lugar onde você aprende a dar a si mesma a devida atenção e carinho, soltando de vez esse chicote.
E aí você aceita finalmente que merece mais do que migalhas, inclusive das que você mesma se dá.

